Exportações de Santa Catarina aceleram em agosto: o que o avanço para China e Japão significa para a economia do estado

Amelia Hartley
Amelia Hartley Santa Catarina
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Exportações de Santa Catarina aceleram em agosto: o que o avanço para China e Japão significa para a economia do estado

Vendas externas catarinenses cresceram 17,3% em agosto, enquanto agroindústria ganhou espaço e empresas enfrentam mudanças no mercado americano.

Santa Catarina voltou a registrar um desempenho forte no comércio exterior e fechou agosto com US$ 1,15 bilhão em exportações, alta de 17,3% na comparação com o mesmo mês de 2025. O resultado chama atenção porque ocorreu em um cenário internacional marcado por novas tarifas comerciais dos Estados Unidos e por mudanças nas condições de acesso a diferentes mercados. No acumulado de janeiro a agosto, o estado chegou a US$ 8,41 bilhões em vendas externas, crescimento de 5,8% sobre o mesmo período do ano passado.

A principal dúvida para o catarinense, porém, é o que existe por trás desse número e se o avanço pode chegar à economia real. A resposta passa principalmente pela força da agroindústria, pela recuperação das vendas de frango para a China e pelo aumento das exportações de carne suína para o Japão. Ao mesmo tempo, a queda das vendas para os Estados Unidos mostra que Santa Catarina está sendo obrigada a diversificar mercados e adaptar empresas a um comércio internacional mais instável.

Por que as exportações de Santa Catarina cresceram tanto em agosto

O principal motor do resultado de agosto foi a agroindústria. As exportações catarinenses de carne de aves cresceram 15,9% no mês e alcançaram US$ 189,2 milhões, com destaque para a retomada dos embarques de frango para a China depois das restrições sanitárias relacionadas à gripe aviária. As vendas para o mercado chinês passaram de apenas US$ 399 em agosto de 2025 para US$ 29,7 milhões em agosto deste ano, uma diferença que ajuda a explicar por que o desempenho estadual acelerou.

A carne suína também ganhou força, com receita de US$ 144,5 milhões em agosto, alta de 9% na comparação anual. O Japão foi um dos principais responsáveis por esse avanço, aumentando suas compras de US$ 29 milhões para US$ 56,5 milhões. A soja, por sua vez, teve crescimento de 11,6%, chegando a US$ 91 milhões. O conjunto desses resultados mostra uma característica importante da economia catarinense: o estado consegue combinar indústria, agroindústria e produção rural para atender diferentes mercados internacionais, reduzindo parcialmente a dependência de um único destino.

Esse movimento também ajuda a explicar por que o resultado de agosto é relevante para municípios que não aparecem diretamente nas estatísticas de comércio exterior. Uma exportação maior significa demanda por produção, processamento, armazenagem, transporte, serviços portuários e logística. Em regiões onde frigoríficos, cooperativas, fábricas e fornecedores têm forte presença, o comércio exterior influencia uma cadeia econômica muito maior do que o valor registrado na alfândega. Para Santa Catarina, portanto, o crescimento das vendas externas pode representar atividade para empresas de diferentes portes e setores.

O que China, Japão e Estados Unidos representam para Santa Catarina

A retomada da China como compradora de frango catarinense é especialmente significativa porque amplia novamente a capacidade de distribuição internacional da agroindústria. O mercado asiático também ganhou importância para a carne suína, com o Japão praticamente dobrando suas compras em agosto. Esse movimento mostra que a demanda externa pode mudar rapidamente conforme barreiras sanitárias são retiradas, preços se tornam mais competitivos ou consumidores aumentam suas compras.

A diversificação é importante porque os Estados Unidos apresentaram comportamento diferente. No primeiro mês de vigência das novas tarifas adotadas pelo governo americano em julho, as exportações catarinenses para o país caíram 5%, para US$ 113,6 milhões. As vendas de madeira recuaram 1,9%, enquanto motores e geradores elétricos tiveram queda de 8,7%; em sentido contrário, as exportações de partes para motores avançaram 135,2%. O resultado mostra que o impacto das tarifas não é igual para todos os produtos e que empresas catarinenses precisam avaliar mercado por mercado.

O próprio governo estadual criou medidas de apoio para contribuintes afetados pelas tarifas americanas de 25%. O Decreto nº 1.678, de 31 de agosto de 2026, prevê, entre outras medidas, a ampliação do prazo de recolhimento do ICMS para empresas que atendam aos critérios estabelecidos e a possibilidade de utilização de créditos acumulados decorrentes de exportações. A medida mostra que a política comercial internacional já produz efeitos que chegam à administração tributária catarinense e às decisões das empresas.

O que esse cenário pode significar para empregos e empresas de SC

O crescimento das exportações não significa automaticamente aumento de salários ou contratação em todas as cidades, mas cria condições favoráveis para cadeias produtivas que dependem do comércio exterior. Frigoríficos, indústrias, transportadoras, operadores logísticos, portos, produtores rurais e fornecedores de máquinas e insumos estão conectados ao desempenho das vendas internacionais. Quando a demanda externa aumenta, empresas podem ampliar produção, reorganizar estoques e buscar investimentos para atender novos contratos.

Os dados sobre importações reforçam essa conexão com a indústria. Em agosto, Santa Catarina importou US$ 3,17 bilhões, alta de 15,1% em relação ao mesmo mês de 2025, enquanto as compras de máquinas e equipamentos cresceram 24,4%, alcançando US$ 428 milhões. As importações de autopeças e acessórios também avançaram 19,2%, e as de pneus novos cresceram 23,4%. Isso sugere que parte das empresas catarinenses continua investindo em equipamentos e componentes necessários à produção, mesmo diante de um ambiente externo mais complexo.

Para os próximos meses, o principal desafio será transformar o bom desempenho de agosto em uma trajetória menos dependente de circunstâncias pontuais. A análise da Epagri/Cepa já apontou que a mudança da política comercial americana elevou os riscos para cadeias catarinenses, ao mesmo tempo em que a demanda asiática abriu oportunidades para produtos do agronegócio. A diversificação de destinos, o aumento da competitividade, a capacidade logística e a adaptação às novas exigências internacionais devem ganhar ainda mais importância para empresas que desejam manter ou ampliar sua participação no comércio mundial.

O resultado de agosto mostra, portanto, duas faces da economia catarinense. De um lado, o estado conseguiu acelerar suas exportações para US$ 1,15 bilhão em um único mês, apoiado principalmente pela recuperação das proteínas animais e pela força dos mercados asiáticos. De outro, a retração das vendas para os Estados Unidos confirma que mudanças comerciais internacionais podem afetar rapidamente empresas instaladas em Santa Catarina. Para o trabalhador, produtor ou empresário catarinense, a tendência mais importante é acompanhar não apenas o valor total exportado, mas também quais setores estão crescendo, para onde os produtos estão sendo enviados e como as empresas estão se adaptando.

Fontes: FIESC — Exportações de SC crescem 17,3% em agosto e somam US$ 1,15 bilhão · Secretaria de Estado da Fazenda de SC — Decreto nº 1.678/2026 · Observatório Agro Catarinense/Epagri — efeitos das tarifas dos EUA no agronegócio · FIESC — dados econômicos e comércio exterior de Santa Catarina

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