Por que algumas empresas digitalizam processos e continuam analógicas por dentro?

Diego Rodríguez Velázquez
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Digitalizar processos não garante mudança cultural, alerta Andre de Barros Faria.

Segundo destaca o CEO da Vert Analytics, empresa referência nacional em soluções analíticas e inteligência artificial aplicadas à gestão pública e corporativa, Andre de Barros Faria, a transformação digital se tornou prioridade em praticamente todos os setores, mas a simples adoção de ferramentas tecnológicas não garante mudanças reais na forma como as organizações operam. Muitas empresas investem em plataformas modernas, automatizam etapas e criam interfaces digitais, porém continuam enfrentando lentidão, retrabalho e decisões pouco eficientes. Este artigo analisa por que processos digitalizados nem sempre representam evolução estrutural, abordando os principais fatores que mantêm modelos internos analógicos mesmo em ambientes aparentemente inovadores.

Digitalizar significa realmente transformar?

De acordo com Andre de Barros Faria, uma das confusões mais comuns no ambiente corporativo é tratar a digitalização como sinônimo de transformação digital. Digitalizar, na prática, muitas vezes significa apenas substituir papéis por formulários online ou sistemas básicos, sem revisar a lógica dos processos. Assim, etapas burocráticas continuam existindo, apenas em um formato diferente.

Quando a estrutura operacional não é repensada, a tecnologia apenas acelera práticas antigas. Fluxos longos, aprovações redundantes e dependência excessiva de validações manuais permanecem presentes, criando a sensação de modernidade sem ganhos reais de eficiência. O resultado é uma organização que parece digital na superfície, mas ainda funciona com mentalidade analógica.

Transformar exige mais do que ferramentas. Envolve revisar rotinas, questionar práticas tradicionais e reorganizar a forma como a informação circula dentro da empresa. Sem essa mudança estrutural, a digitalização tende a gerar frustração, pois a expectativa de agilidade não se concretiza.

Empresas que permanecem analógicas por dentro revelam falhas na estratégia de transformação, conforme analisa Andre de Barros Faria.
Empresas que permanecem analógicas por dentro revelam falhas na estratégia de transformação, conforme analisa Andre de Barros Faria.

Por que a cultura organizacional pode impedir a evolução digital?

A tecnologia raramente falha de forma isolada. Conforme explica o CEO da Vert Analytics, Andre de Barros Faria, o principal obstáculo costuma estar na cultura interna das organizações, que adotam sistemas modernos, mas mantêm decisões centralizadas e fluxos informais fora das plataformas oficiais. Nesse contexto, soluções como o Main, da Vert Analytics, surgem ao integrar agentes de IA às equipes, automatizando tarefas repetitivas e ajudando a alinhar inovação tecnológica com eficiência operacional real.

Essa desconexão entre cultura e tecnologia cria um ambiente híbrido, onde parte das atividades ocorre dentro dos sistemas e outra parte continua sendo conduzida por e-mails, planilhas isoladas ou mensagens informais. A falta de alinhamento reduz a confiabilidade dos dados e dificulta a criação de uma visão estratégica consistente.

Como a gestão da informação influencia a eficiência dos processos digitais?

Outro fator determinante para o sucesso da transformação digital é a forma como as informações são organizadas. Empresas que acumulam documentos em sistemas diferentes ou sem padrões claros de classificação enfrentam dificuldades para automatizar tarefas de forma consistente. A ausência de governança documental impede que fluxos digitais funcionem com previsibilidade.

Dados dispersos dificultam a análise estratégica e aumentam o tempo necessário para localizar conteúdos relevantes. Como expõe Andre de Barros Faria, isso afeta diretamente a produtividade das equipes, que passam a gastar mais tempo buscando informações do que tomando decisões. Mesmo com plataformas avançadas, a falta de organização interna mantém a operação presa a práticas analógicas. Com o tempo, esse cenário compromete a qualidade das análises e gera dependência excessiva de processos manuais para validar dados que deveriam estar centralizados.

Estruturar a informação desde a origem permite que sistemas digitais atuem com mais inteligência. Metadados consistentes, repositórios unificados e critérios claros de acesso criam uma base sólida para que automações e análises funcionem de forma eficiente, reduzindo erros e retrabalho. Além disso, a padronização facilita a colaboração entre áreas, permitindo que diferentes equipes trabalhem sobre a mesma fonte confiável de conhecimento e acelerem a tomada de decisões estratégicas.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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