A notícia sobre a morte de um bebê de nove meses após atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em São Bento do Sul, Santa Catarina, gerou grande repercussão e coloca em xeque a qualidade dos serviços de urgência e emergência na região. Familiares e moradores criticaram fortemente a atuação médica, alegando que falhas no atendimento contribuíram para o agravamento do quadro da criança antes de sua transferência para hospital em Joinville, onde o bebê veio a falecer nos dias seguintes ao atendimento inicial.
Nos relatos divulgados, a criança foi levada inicialmente à UPA com sintomas preocupantes e recebeu uma classificação de risco com pulseira amarela, indicando necessidade de atendimento urgente. Após receber medicação, os sintomas não melhoraram, e a família retornou à unidade de saúde. Desta vez, a classificação atribuída foi com pulseira verde, apesar do quadro clínico já estar mais delicado, o que levantou perguntas sobre a avaliação e acompanhamento médico.
O caso tem sido usado como exemplo por parte da população que questiona a capacidade de unidades de pronto atendimento de lidar com situações mais complexas, especialmente quando envolvem crianças pequenas. Moradores afirmam que, embora a UPA seja elogiada quando atende casos simples, a estrutura ainda não está preparada para diagnósticos e condutas mais exigentes, como os que envolvem quadros clínicos que se agravam rapidamente.
Em meio às críticas, algumas versões do caso apontam que houve contestação do laudo oficial que descreve a causa da morte como natural ou indeterminada, com a família alegando possível erro médico e solicitação de investigação pela Polícia Civil. Essa discordância entre o resultado da necropsia e a opinião dos familiares intensifica o debate sobre transparência e rigor nas apurações científicas e institucionais em situações que envolvem óbitos de menores.
Em resposta ao ocorrido, a direção da UPA e o Instituto que administra a unidade informaram o afastamento temporário dos profissionais envolvidos no atendimento da criança enquanto a investigação interna continua. Tal medida visa resguardar a lisura do procedimento investigativo e assegurar que o caso seja analisado com rigor, sem prejulgamentos ou interferências externas.
Esse episódio traz à tona uma discussão mais ampla sobre a importância de protocolos claros de triagem e de revisão constante nos sistemas de saúde pública, de modo que sinais de alerta em atendimentos pediátricos sejam rapidamente identificados e seguidos por intervenções adequadas. Especialistas em saúde frequentemente ressaltam que a avaliação criteriosa de sinais vitais e sintomas clínicos é essencial para evitar desfechos adversos em crianças, cuja condição pode piorar rapidamente em ambientes de urgência.
Adicionalmente, o debate gerado por esse caso em São Bento do Sul reflete uma demanda social por melhorias estruturais e por maior investimento em capacitação profissional nas UPAs e demais unidades de atendimento de emergência. Pacientes dependem de atendimentos eficazes e assertivos, e casos como esse reforçam a necessidade de aperfeiçoar a comunicação entre unidades de saúde, sistemas de regulação e hospitais em níveis regionais mais amplos.
Por fim, a atenção redobrada com o atendimento infantil em unidades de urgência e emergência segue sendo um tema prioritário tanto para as autoridades de saúde quanto para a sociedade civil, especialmente quando tragédias que poderiam ser evitadas provocam comoção e levantam questionamentos sobre a efetividade dos serviços públicos destinados a salvar vidas.
Autor : Muntt Omarzo