Como a campanha por eleições pacíficas pode fortalecer a democracia em Santa Catarina e proteger o voto do cidadão

Diego Rodríguez Velázquez
Diego Rodríguez Velázquez Política
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Como a campanha por eleições pacíficas pode fortalecer a democracia em Santa Catarina e proteger o voto do cidadão

Iniciativa do TRE-SC reúne instituições para combater a desinformação, incentivar o diálogo e reforçar a confiança nas eleições de 2026.

As eleições de 2026 já começam a mobilizar instituições públicas em todo o país, e Santa Catarina foi palco de uma das iniciativas mais relevantes da última semana para fortalecer o processo democrático. O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) lançou, em parceria com a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), a campanha “Diálogo e Paz – Eleições 2026”, que busca incentivar uma disputa eleitoral baseada no respeito, na transparência e no combate à desinformação.

Embora a campanha não altere as regras eleitorais, ela levanta uma questão importante para o eleitor catarinense: de que forma iniciativas institucionais podem contribuir para eleições mais seguras e confiáveis? Em um cenário marcado pelo crescimento da circulação de informações falsas, do uso de inteligência artificial e da polarização política, especialistas e autoridades eleitorais defendem que promover o diálogo e ampliar a educação eleitoral ajuda a reduzir conflitos e fortalece a confiança da população nas instituições democráticas.

Por que o TRE-SC decidiu lançar a campanha “Diálogo e Paz”

O lançamento ocorreu no hall da Assembleia Legislativa de Santa Catarina e reuniu representantes do Poder Judiciário, do Ministério Público, partidos políticos, entidades da sociedade civil, veículos de comunicação e outras instituições públicas. Durante o evento, dezoito organizações assinaram um termo de compromisso para atuar de forma coordenada na promoção de um ambiente eleitoral mais seguro, inclusivo e respeitoso. Segundo o presidente do TRE-SC, desembargador Carlos Roberto da Silva, o documento representa um compromisso permanente com os valores da democracia, indo além de um gesto simbólico.

A campanha também amplia ações que a Justiça Eleitoral catarinense já vinha desenvolvendo nos últimos meses. Entre elas estão materiais educativos, campanhas em rádio, televisão e redes sociais, encontros com dirigentes partidários, produção de conteúdo informativo e iniciativas voltadas ao enfrentamento do assédio eleitoral. Outro eixo importante envolve o uso ético da inteligência artificial durante as campanhas, tema que ganhou destaque diante da expansão de conteúdos manipulados digitalmente e do uso de ferramentas capazes de produzir imagens, vídeos e áudios falsos.

Além disso, a campanha contempla medidas para combater a violência política de gênero e raça, fortalecer o cumprimento das cotas eleitorais e estimular mecanismos consensuais para a resolução de conflitos. De acordo com o TRE-SC, o objetivo é garantir que divergências políticas ocorram dentro dos limites do respeito institucional, preservando o direito de escolha dos eleitores e a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro.

Como essa iniciativa pode afetar diretamente o eleitor catarinense

Para quem mora em Santa Catarina, os efeitos da campanha podem parecer discretos à primeira vista, mas possuem reflexos importantes no cotidiano democrático. Ao incentivar a checagem de informações antes do compartilhamento e ampliar campanhas educativas sobre o funcionamento das eleições, a Justiça Eleitoral busca reduzir o impacto da desinformação, um dos principais desafios enfrentados nos pleitos recentes. Quanto maior o acesso da população a informações oficiais, menores tendem a ser os efeitos de boatos capazes de gerar insegurança ou desconfiança sobre o processo eleitoral.

Outro aspecto relevante é a prevenção ao assédio eleitoral. A legislação brasileira já protege a liberdade de voto e prevê punições para práticas que tentem constranger trabalhadores ou eleitores a apoiar determinado candidato. Ao ampliar a divulgação dessas regras, a campanha pretende conscientizar empresas, servidores públicos e cidadãos sobre seus direitos, incentivando denúncias sempre que houver irregularidades. Essa estratégia também busca reduzir conflitos e fortalecer um ambiente de respeito durante todo o período eleitoral.

O presidente do TRE-SC também reforçou a importância de combater informações falsas sobre as urnas eletrônicas. Durante o lançamento, ele destacou que Santa Catarina abriga a chamada “Casa da Urna”, em Biguaçu, espaço criado para apresentar ao público o funcionamento dos equipamentos e seus mecanismos de segurança. A intenção é aproximar a população da tecnologia utilizada nas eleições brasileiras e aumentar a confiança na apuração dos votos, considerada uma das mais rápidas do mundo.

O que esperar das eleições de 2026 em Santa Catarina

Nos próximos meses, a expectativa é que o TRE-SC amplie as ações educativas previstas pela campanha, promovendo novos encontros com partidos políticos, instituições públicas, imprensa e representantes da sociedade civil. O foco será orientar candidatos e eleitores sobre direitos, deveres, combate à desinformação e uso responsável das tecnologias digitais durante a campanha eleitoral.

Também devem ganhar espaço iniciativas voltadas ao enfrentamento das chamadas deepfakes, conteúdos produzidos com inteligência artificial capazes de simular falas, imagens e vídeos falsos. O uso indevido dessas tecnologias já preocupa autoridades eleitorais em diferentes países e passou a integrar as prioridades da Justiça Eleitoral catarinense para as eleições de 2026. A proposta é reforçar a educação digital da população e incentivar que informações relacionadas ao processo eleitoral sejam verificadas em canais oficiais antes de serem compartilhadas.

Para o eleitor catarinense, a principal mensagem da campanha é que a democracia depende não apenas das instituições, mas também da participação responsável dos cidadãos. Buscar informações em fontes confiáveis, respeitar opiniões divergentes e denunciar práticas ilegais são atitudes que contribuem para um ambiente eleitoral mais transparente. Em um período de intensa mobilização política, iniciativas como “Diálogo e Paz – Eleições 2026” procuram mostrar que é possível manter o debate democrático sem abrir espaço para a violência, a intolerância ou a desinformação, fortalecendo a confiança da sociedade nas eleições e nas instituições públicas.

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