Corrida ao governo de SC: pesquisa aponta vantagem de Jorginho Mello a três meses da eleição

Diego Rodríguez Velázquez
Diego Rodríguez Velázquez Santa Catarina
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Corrida ao governo de SC: pesquisa aponta vantagem de Jorginho Mello a três meses da eleição

Levantamento do IPC mostra governador na liderança, mas avanço de João Rodrigues e ruptura do MDB agitam o tabuleiro político catarinense.

A disputa pelo governo de Santa Catarina em 2026 ganhou novos contornos nas últimas semanas. Uma pesquisa presencial encomendada pela Associação Catarinense de Jornais (Adjoras) ao Instituto IPC, realizada entre os dias 9 e 13 de julho com 1.050 eleitores em várias regiões do estado, mostra o governador Jorginho Mello (PL) na liderança da corrida, com 53,3% das intenções de voto no cenário estimulado, o que o colocaria eleito já no primeiro turno se a votação ocorresse hoje (Portal Making Of). O levantamento tem margem de erro de 3,3 pontos percentuais e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob os números BR-09576/2026 e SC-09951/2026.

O que mostra a pesquisa do IPC

Apesar da liderança confortável no primeiro turno, os números trazem um alerta para a campanha de Mello: o ex-prefeito João Rodrigues (PSD) aparece em ascensão e é, entre os principais concorrentes, quem tem a menor taxa de rejeição, apenas 6,6% dos entrevistados afirmam rejeitá-lo. Já o próprio governador, mesmo na frente em intenção de voto, carrega o maior índice de rejeição entre os nomes testados, um dado que analistas locais apontam como o principal ingrediente para acirrar a disputa assim que o horário eleitoral gratuito começar oficialmente, previsto para o segundo semestre (SC Real TV).

O levantamento foi o primeiro do ano feito de forma presencial em Santa Catarina, o que dá a ele um peso metodológico maior do que pesquisas online ou por telefone, segundo o próprio instituto responsável. Além dos números de primeiro turno, o IPC também testou cenários hipotéticos de segundo turno, nos quais a diferença entre Mello e Rodrigues aparece mais estreita do que a distância observada no cenário espontâneo, reforçando a leitura de que a eleição catarinense, embora hoje favoreça o governador, está longe de estar decidida a três meses da votação de outubro.

A disputa dentro do campo político catarinense

Paralelamente à corrida eleitoral, o próprio campo governista em Santa Catarina vive um momento de reacomodação. O MDB estadual formalizou, no fim de janeiro, o rompimento com o governo Jorginho Mello, decisão que teve como primeiro desdobramento prático a saída de Carlos Chiodini da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária, pasta que o partido ocupava na gestão estadual (Gazeta do Povo). O racha se deu, em boa parte, porque o governador optou por indicar o prefeito reeleito de Joinville, Adriano Silva, do partido Novo, como vice em sua chapa à reeleição, na contramão de sinalizações anteriores de que o companheiro de chapa sairia justamente do MDB.

A escolha pegou a legenda de surpresa e levou a uma reunião fechada da executiva estadual do MDB em Florianópolis para discutir os próximos passos do partido, incluindo a possibilidade de lançar candidatura própria ao governo do estado em outubro. Essa movimentação interna reflete um processo mais amplo de reposicionamento do MDB catarinense, liderado por lideranças que defendem maior aproximação com pautas de centro-direita, em um momento em que o partido ainda comanda três secretarias estaduais na gestão Mello, o que torna a ruptura politicamente delicada para os dois lados.

O que esperar dos próximos meses da campanha

Confirmada a candidatura de Carlos Bolsonaro a senador por Santa Catarina na chapa pura do PL, ao lado de Jorginho Mello e Caroline De Toni, o partido aposta em consolidar o campo bolsonarista no estado antes mesmo da convenção partidária, prevista para agosto. O governador, por sua vez, tem evitado antecipar publicamente movimentos de composição política, preferindo discutir o tema mais próximo da data oficial da convenção, postura que ele próprio reforçou em entrevistas ao longo do primeiro semestre do ano.

Com a pesquisa do IPC mostrando um cenário de liderança ainda não consolidada e o campo político catarinense se reorganizando após a saída do MDB, os próximos meses devem concentrar boa parte da disputa em torno da definição de vices, coligações e do início oficial da propaganda eleitoral. Para o eleitor catarinense, o principal ponto de atenção passa a ser acompanhar como as alianças se fecham antes de outubro, já que, segundo os próprios números do levantamento, a rejeição elevada ao governador pode se tornar decisiva caso a disputa avance para um segundo turno.

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