Como ter tempo de qualidade com os filhos mesmo em rotinas agitadas, segundo Taiza Tosatt Eleoterio 

Amelia Hartley
Amelia Hartley Notícias
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Taiza Tosatt Eleoterio 

Sob o entendimento da psicanalista Taiza Tosatt Eleoterio, pais e mães que trabalham muito costumam se perguntar se estão presentes o suficiente, e a resposta está menos na quantidade de horas e mais na qualidade da atenção oferecida. Alguns minutos de escuta verdadeira, sem pressa e sem distrações, podem significar mais para a criança do que uma tarde inteira ao lado de alguém com a cabeça em outro lugar. 

Compreender isso alivia a cobrança, fortalece o vínculo e contribui para a saúde mental familiar, além de ajudar pais e mães a aproveitar melhor os pequenos momentos que a rotina permite, sem culpa e sem comparações. 

A pressão de estar presente o tempo todo

Quem concilia trabalho, casa e filhos conhece bem a sensação de estar sempre em dívida. Ao fim do dia, o cansaço pesa, a lista de tarefas continua grande e surge a dúvida: será que meu filho recebeu atenção suficiente? Essa cobrança, alimentada por comparações com outras famílias e por ideias de perfeição, costuma gerar culpa e esgotamento.

Como explica Taiza Tosatt Eleoterio, a culpa é uma péssima conselheira para a relação com os filhos. Pais cansados e culpados tendem a compensar com presentes, permissões demais ou tentativas forçadas de diversão, e nada disso substitui o que a criança realmente procura: sentir que é vista e que importa para quem cuida dela.

O que a criança entende por “tempo de qualidade”?

Para uma criança, tempo de qualidade não tem relação com passeios caros ou grandes programações. Ela percebe, antes de tudo, se o adulto está inteiro naquele momento. Um olhar atento, uma pergunta feita com interesse e uma risada compartilhada valem mais do que horas de convivência em que cada um está em seu mundo.

Na avaliação de Taiza Tosatt Eleoterio, o que marca a criança é a sensação de ser acolhida quando mais precisa. Isso pode acontecer em um minuto ou em uma hora, desde que a atenção seja real. Pelo olhar infantil, a presença é medida pela disponibilidade emocional, e não pelo relógio, o que traz alívio para as famílias com horários apertados.

Pequenos momentos que fazem diferença na rotina

A rotina corrida costuma esconder oportunidades que passam despercebidas. O trajeto até a escola, o banho, a hora de arrumar a mesa e os minutos antes de dormir podem se tornar pequenos rituais de encontro, desde que o celular fique de lado e a conversa tenha espaço para acontecer.

Perguntar sobre algo específico do dia, como “o que foi mais engraçado hoje?”, costuma abrir mais portas do que um genérico “como foi a escola?”. Contar uma história curta, cantar uma música ou apenas ficar ao lado da criança enquanto ela brinca também são formas de presença. Como aponta Taiza Tosatt Eleoterio, essas pequenas ações, repetidas com regularidade, criam uma sensação de previsibilidade e segurança que fortalece o ambiente familiar.

Presença real: atenção, escuta e olhar

Estar presente de verdade envolve três gestos simples: olhar para a criança quando ela fala, escutar sem interromper e responder com interesse genuíno. Parece pouco, mas, em meio à correria, é isso que costuma se perder. Muitas vezes, o adulto está ao lado do filho e, ainda assim, pensando no e-mail que precisa responder.

A psicanálise lembra que a criança forma a imagem de si mesma a partir do olhar de quem cuida. Quando esse olhar é atento e carinhoso, ela se reconhece como alguém digno de amor. Essa experiência, mesmo vivida em doses pequenas, sustenta a segurança emocional da criança e a ajuda a lidar com ausências inevitáveis, como o horário de trabalho dos pais, enfatiza Taiza Tosatt Eleoterio. 

Como proteger a autoestima da criança em dias corridos?

Nem todo dia será tranquilo, e haverá semanas em que a rotina pedirá mais do que a família consegue dar. Nesses períodos, é importante explicar à criança, com palavras simples, o que está acontecendo: “esta semana estou com muito trabalho, mas separei um tempo só para nós no sábado”. Essa honestidade evita que ela interprete a ausência como falta de amor.

A autoestima infantil se fortalece quando a criança sabe que continua importante mesmo nos dias de pouco tempo. Cumprir o que foi combinado, ainda que seja um momento curto, reforça a confiança e a saúde mental infantil. Já promessas não cumpridas, repetidas com frequência, tendem a gerar frustração e a sensação de que ela não tem prioridade.

Presença possível: o que fica para a família?

Em meio a tudo o que foi abordado, destaca-se uma ideia central: o vínculo não depende de grandes quantidades de tempo, mas de gestos atentos, repetidos com carinho. Os pais não precisam cumprir um ideal impossível de presença constante, e sim oferecer à criança momentos em que ela se sinta realmente vista e escutada.

Cada família pode procurar os instantes que já existem na rotina e valorizá-los, em vez de buscar tempo que não tem. Na ótica de Taiza Tosatt Eleoterio, com essa mudança de olhar, a culpa diminui, a convivência melhora e a casa se torna um espaço mais leve, em que crianças e adultos podem se sentir seguros para ser quem são. 

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