De acordo com o gestor do San Marco Hotel (Brasília/DF), desde 2006, Gianmarco Marchetti, o GOPPAR ganhou espaço nas análises financeiras dos hotéis porque responde a uma pergunta que a receita não resolve: quanto sobra depois de pagar a operação? Na hotelaria, o RevPAR mostra o faturamento por quarto disponível e ignora os custos. Assim sendo, olhar para o resultado, e não só para a receita, muda decisões de preço, equipe e investimento.
Isto posto, calcular o lucro operacional por quarto disponível exige poucos dados, e a leitura que ele oferece compensa o esforço. Do conceito à fórmula, passando pelos erros de interpretação, o caminho a seguir mostra como proteger a margem do hotel. Então, quer saber por que um RevPAR alto pode esconder uma operação cara? Acompanhe a leitura.
O que o GOPPAR revela que o RevPAR esconde?
O RevPAR multiplica a taxa de ocupação pela diária média. Portanto, ele mede a capacidade de gerar receita, não a de gerar lucro. Dois hotéis com o mesmo RevPAR podem terminar o mês em situações opostas: um com canais diretos e equipe dimensionada, outro com taxas altas de agências online, lavanderia cara e folha inchada. O indicador de receita trata os dois como iguais.
O GOPPAR corrige essa distorção ao descontar da receita total as despesas operacionais. Conforme destaca Gianmarco Marchetti, o resultado por quarto disponível mostra quanto cada unidade deixa no caixa, e o custo de vender cada diária passa a pesar na decisão. Nenhum painel de receita oferece essa visão.
Como calcular o GOPPAR na prática?
A fórmula é bastante direta e cabe em uma planilha. Divide-se o lucro operacional bruto, ou seja, a receita total menos as despesas operacionais, pelo número de quartos disponíveis no período. Tendo isso em vista, para chegar a um número confiável, o hotel precisa reunir os seguintes grupos de informação antes de fazer a conta:
- Receita total: hospedagem, alimentos e bebidas, eventos e demais serviços do período;
- Custos departamentais: gastos diretos de cada área, como governança, recepção e cozinha;
- Despesas não distribuídas: energia, manutenção, vendas, marketing e administração;
- quartos disponíveis: unidades aptas à venda, multiplicadas pelos dias do período.
Um exemplo hipotético ajuda. Um hotel de 100 quartos opera 30 dias, ou seja, 3.000 quartos disponíveis. Se o lucro operacional bruto do mês chega a R$ 450 mil, o GOPPAR é de R$ 150. Já um RevPAR de R$ 300 nesse mesmo mês indicaria boa receita, sem revelar quanto dela virou resultado. Só o GOPPAR responde a essa dúvida.
RevPAR e GOPPAR juntos formam um diagnóstico completo
O RevPAR continua indispensável para medir posicionamento comercial, porque aponta se o hotel vende bem frente ao mercado. O GOPPAR entra para medir eficiência. Ele mostra se a receita conquistada sustenta a estrutura mantida. Isto posto, quando o RevPAR sobe e o GOPPAR cai, o hotel compra ocupação com descontos, comissões elevadas ou promoções que consomem a margem. Na direção contrária, RevPAR estável com GOPPAR em alta indica ganho interno de produtividade.
A leitura conjunta evita decisões precipitadas, como cortar equipe para melhorar a margem quando o problema está na distribuição de canais. O gestor compara os dois números mês a mês, identifica onde o custo cresce mais rápido que a receita e ajusta a estratégia de venda antes que a perda se consolide. Como informa o administrador da Marco Marchetti Hotéis Ltda., Gianmarco Marchetti, esse hábito transforma o relatório mensal em ferramenta de planejamento.
Quais erros distorcem a leitura do indicador?
O primeiro erro é comparar hotéis com estruturas diferentes. Um resort com spa, restaurante e centro de eventos carrega custos que um hotel urbano enxuto não tem, e a comparação direta induz ao erro. O segundo erro é ignorar a sazonalidade: o indicador salta na alta temporada, despenca na baixa, e o número de um único mês engana.
Há ainda a armadilha de cortar despesas que sustentam a experiência do hóspede. A economia em manutenção, treinamento e atendimento eleva o GOPPAR no curto prazo, porém corrói a diária média e a reputação nos meses seguintes. O indicador serve para orientar a gestão, e não para justificar cortes que o mercado cobra depois. Dessa maneira, uma eficiência sustentável protege a margem sem empobrecer o serviço, pontua Gianmarco Marchetti.
Margem saudável nasce da leitura conjunta dos indicadores
Em conclusão, uma receita alta não garante hotel rentável, e o GOPPAR deixa essa diferença visível. Segundo o gestor do San Marco Hotel (Brasília/DF), desde 2006, Gianmarco Marchetti, ele aponta onde a operação gasta mais do que deveria. Ao lado do RevPAR, o indicador compõe um painel que une desempenho comercial e controle de custos, algo que a hotelaria moderna exige. Assim sendo, o gestor que acompanha os dois números decide com mais segurança e protege o resultado do hotel mesmo quando o mercado oscila.