As romarias continuam reunindo pessoas em diferentes regiões do Brasil, mesmo em uma época marcada pela comunicação instantânea e pela presença constante das telas. Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, acompanha esse movimento a partir da relação entre tradição, experiência e transformação cultural. Em 2026, a presença digital passou a fazer parte também da forma como essas manifestações são descobertas, compartilhadas e vivenciadas.
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Como a tecnologia mudou a experiência das romarias?
Durante muito tempo, participar de uma romaria dependia principalmente de informações transmitidas por familiares, comunidades e grupos religiosos. Hoje, redes sociais e plataformas digitais permitem conhecer previamente trajetos, datas, imagens e relatos de outros participantes. A experiência começa, muitas vezes, antes mesmo de colocar os pés na estrada. Com poucos cliques, é possível encontrar informações que antes circulavam de maneira mais restrita entre pessoas que já conheciam determinada tradição.
Esse movimento não significa que a tecnologia tenha substituído a caminhada. Pelo contrário, ela pode funcionar como uma ponte entre a tradição e novas gerações. Levantamentos recentes mostram que manifestações religiosas passaram a alcançar grande repercussão nas redes, como ocorreu com a Festa da Penha, no Espírito Santo, que registrou mais de 1,4 milhão de interações no Instagram em 2026. A presença digital também permite que participantes compartilhem suas experiências e despertem o interesse de pessoas que ainda não conhecem essas manifestações.
Para Daugliesi Giacomasi Souza, essa transformação ajuda a explicar por que manifestações tradicionais continuam encontrando espaço em uma sociedade cada vez mais conectada. O ambiente digital amplia a possibilidade de descoberta, mas o significado da experiência continua ligado ao percurso, à convivência e ao propósito de cada participante. Dessa forma, a tecnologia pode aproximar novos públicos sem retirar da caminhada o caráter presencial que está no centro da experiência de uma romaria.
Por que caminhar ainda faz sentido em uma era acelerada?
A popularização das telas tornou o cotidiano mais rápido, mas também aumentou o interesse por experiências que exigem presença física e tempo. Caminhar durante horas ou dias cria uma ruptura com a lógica imediatista. O trajeto passa a ter valor próprio, independentemente da chegada ao destino. Nesse percurso, o tempo deixa de ser apenas uma medida e passa a fazer parte da própria experiência, permitindo que cada etapa seja vivenciada de maneira mais atenta.

De acordo com Daugliesi Giacomasi Souza, essa característica aproxima as romarias de outras formas contemporâneas de peregrinação. O Ministério do Turismo identifica entre as tendências do segmento a busca por experiências de reflexão, turismo de proximidade e viagens relacionadas a tradições locais. Também observa a presença de peregrinos que procuram experiências espirituais de maneira mais autônoma. Esse cenário mostra como caminhos tradicionais podem dialogar com novos hábitos de viagem, especialmente entre pessoas que procuram experiências menos aceleradas e mais conectadas ao território.
O que transforma uma romaria em experiência cultural?
Uma romaria não acontece apenas no percurso entre dois pontos. Igrejas, comunidades, festas, culinária, artesanato, música e costumes locais podem integrar a jornada. Por isso, o turismo religioso também se relaciona com a preservação de patrimônios e com a movimentação das cidades que recebem os participantes. A passagem dos peregrinos pode ampliar a visibilidade de pequenos negócios, espaços culturais e tradições que fazem parte da identidade de cada comunidade.
Em São Paulo, por exemplo, os roteiros oficiais de turismo religioso incluem centenas de locais ligados a diferentes tradições e apresentam caminhos de peregrinação que conectam espiritualidade, caminhada e cidades do interior. Essa estrutura mostra como uma manifestação de fé pode também se transformar em experiência cultural e turística. Além do aspecto religioso, esses percursos permitem que visitantes conheçam paisagens, construções históricas e manifestações culturais presentes nas regiões atravessadas pelos caminhos.
A relação entre tradição e território é justamente um dos pontos que Daugliesi Giacomasi Souza considera relevantes quando se observa a permanência das romarias. Ao percorrer uma região, o participante não encontra apenas um destino religioso, mas também histórias, paisagens e formas de vida que ajudam a compreender a identidade daquele lugar. Essa conexão faz com que a caminhada seja também uma oportunidade de conhecer comunidades e perceber como diferentes tradições permanecem presentes no cotidiano local.
Para acompanhar outros conteúdos sobre experiências, criatividade e transformação dos espaços, conheça o trabalho de Daugliesi Giacomasi Souza no Instagram @dgdecor.construir.