Voto feminino em Santa Catarina evidencia desafio da representatividade política no estado

Diego Rodríguez Velázquez
Diego Rodríguez Velázquez Política
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Voto feminino em Santa Catarina evidencia desafio da representatividade política no estado

O Dia da Conquista do Voto Feminino reacende um debate que vai além da memória histórica e provoca uma reflexão urgente sobre a representatividade política feminina em Santa Catarina. Embora as mulheres tenham conquistado o direito ao voto há décadas, a presença feminina nos espaços de poder ainda é proporcionalmente baixa no estado. Este artigo analisa as causas desse cenário, os impactos para a democracia e os caminhos possíveis para ampliar a participação das mulheres na política catarinense.

Celebrar o voto feminino é reconhecer uma transformação estrutural na sociedade brasileira. No entanto, a data também revela um paradoxo persistente: as mulheres representam a maioria do eleitorado, mas seguem sub-representadas nos cargos eletivos. Em Santa Catarina, esse desequilíbrio é ainda mais evidente quando comparado a outros estados, tanto no Legislativo quanto no Executivo.

A baixa representatividade política feminina em Santa Catarina não é resultado de um único fator. Trata-se de uma combinação de barreiras culturais, estruturais e partidárias. Historicamente, a política foi construída como um espaço predominantemente masculino, o que gerou uma cultura institucional pouco acolhedora à presença feminina. Essa herança influencia desde a distribuição de recursos partidários até o apoio interno às candidaturas de mulheres.

Além disso, existe um desafio relacionado à visibilidade e à competitividade eleitoral. Mesmo com regras que determinam um percentual mínimo de candidaturas femininas, muitas campanhas ainda enfrentam dificuldades para obter financiamento adequado, tempo de mídia e estrutura de apoio. Isso reduz as chances de sucesso nas urnas e perpetua um ciclo de baixa ocupação de cadeiras por mulheres.

O impacto desse cenário vai além dos números. A representatividade política é um dos pilares da democracia, pois garante que diferentes perspectivas estejam presentes na formulação de políticas públicas. Quando as mulheres ocupam menos espaços de decisão, temas essenciais como saúde, educação, segurança e igualdade de oportunidades podem deixar de refletir plenamente as necessidades da população feminina, que compõe mais da metade da sociedade.

É importante destacar que a presença feminina na política não se resume à defesa de pautas específicas para mulheres. Trata-se de ampliar a diversidade de experiências, trajetórias e visões de mundo dentro do processo legislativo e executivo. Estudos e experiências práticas mostram que ambientes mais diversos tendem a produzir decisões mais equilibradas, inovadoras e alinhadas às demandas sociais.

No contexto catarinense, a baixa representatividade feminina também revela um desafio cultural mais amplo. Santa Catarina possui indicadores econômicos e sociais positivos em diversas áreas, mas ainda convive com estruturas conservadoras em determinados segmentos políticos. Isso influencia a forma como as candidaturas femininas são percebidas e apoiadas.

Outro ponto relevante é a sobrecarga enfrentada por muitas mulheres que desejam ingressar na vida pública. A dupla jornada de trabalho, que envolve responsabilidades profissionais e domésticas, limita o tempo e os recursos disponíveis para a construção de uma carreira política. Sem políticas de incentivo e redes de apoio mais robustas, esse obstáculo tende a se perpetuar.

Entretanto, há sinais de transformação. Movimentos de formação política para mulheres, iniciativas de liderança feminina e maior conscientização do eleitorado vêm ampliando o debate sobre igualdade de gênero na política. O avanço, embora gradual, demonstra que a mudança é possível quando há engajamento coletivo e compromisso institucional.

Para que Santa Catarina avance nesse aspecto, é necessário ir além do cumprimento formal das cotas partidárias. É fundamental garantir acesso real a recursos financeiros, capacitação estratégica e espaço nas estruturas de decisão dos partidos. Também é essencial que o eleitorado reconheça a importância de apoiar candidaturas femininas como parte de um projeto democrático mais inclusivo.

A reflexão provocada pelo Dia da Conquista do Voto Feminino, portanto, deve servir como um ponto de inflexão. Não basta comemorar a história; é preciso questionar o presente e planejar o futuro. A representatividade política feminina em Santa Catarina precisa deixar de ser uma estatística incômoda e tornar-se uma prioridade institucional.

A democracia se fortalece quando todos os grupos sociais têm voz ativa nas decisões que moldam o estado. Ampliar a participação das mulheres na política catarinense não é apenas uma questão de justiça social, mas também de eficiência administrativa e qualidade legislativa. Quanto mais plural for a composição dos espaços de poder, maior será a capacidade de responder aos desafios contemporâneos.

O voto feminino simboliza uma conquista histórica, mas sua plena realização depende da presença efetiva das mulheres nos cargos de liderança. Santa Catarina tem a oportunidade de transformar esse debate em ação concreta, promovendo uma política mais representativa, equilibrada e alinhada aos princípios democráticos que fundamentam a sociedade brasileira.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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